Por Compujob Web em 28 set 2008 2 Comentários
TÉCNICO OU ESPECIALISTA EM ALGUMA TECNOLOGIA?
Adorei ouvir o Phd em comunicação digital, Luli Radfahrer, falar no papo com o Serginho Groisman sobre a confusão que a grande maioria das pessoas faz com os profissionais atuantes nas áreas que utilizam a tecnologia. Na verdade, achei até engraçado ele dizendo que não iria consertar o computador do vizinho caso a máquina “desse pau”.
Já passei inúmeras vezes por essa situação: um parente ou amigo telefona perguntando como é que se faz para aumentar a margem direita do documento do Word, ou para saber por que o computador não está ligando. Isso tudo pelo fato de que eu utilizo o computador e a internet como ferramentas nos meus trabalhos com vídeo. Quem já não passou por isso?
Lembrei de um artigo do Eco Moliterno no Webinsider que também chega perto desse assunto.
Mas tudo bem, não me faz mal colaborar com as pessoas caso eu tenha as respostas necessárias. O que fiquei pensando ao ouvir o Luli foi no motivo pelo qual as pessoas fazem tal confusão, achando que todo mundo que trabalha com computador ou tecnologia é necessariamente um técnico de informática.
Sob o meu ponto de vista, a confusão pode se dar por duas razões interdependentes. A primeira, pela indiferença ao tratar de técnica e tecnologia. Generalizando, tecnologia é um conjunto de aplicações criadas para executar determinada função; já, técnica, a maneira pela qual se coloca em prática a tecnologia.
Se pararmos um pouco para pensar fica fácil perceber as múltiplas atuações técnicas que envolvem tecnologias – e não só as da informação. Uma pessoa sabe consertar o computador ou criar uma peça tecnologia, aquela outra sabe colocar em prática as criações alheias, já fulano sabe falar sobre a tecnologia, enquanto beltrano a utiliza como ferramenta em processos de outras áreas. Uma pessoa sabe estudar teoricamente o computador, outra sabe vender tecnologia. Um sabe articulá-la com a economia, outro cria tecnologia para construir edifícios, enquanto aquele outro subverte as particularidades de um software negativamente para gerar vírus ou positivamente para criar obras de arte interativas. E tem ainda aquele que aperta botões tecnológicos para salvar uma vida, etc. Ou seja, lidar com a tecnologia não significa ser técnico em suas aplicações mais óbvias.
A segunda parte da confusão pode ser gerada pelo fato de que atualmente não existe mais um grande distanciamento entre tecnologias e vida cotidiana. Lembrei de uma frase da Diana Domingues, especialista em refletir sobre as relações entre arte e tecnologia, que fala um pouco disso.
Hoje, tudo passa pelas tecnologias: a religião, a indústria, a ciência, a educação, entre outros campos da atividade humana, estão utilizando intensamente as redes de comunicação, a informação computadorizada; e a humanidade está marcada pelos desafios políticos, econômicos e sociais decorrentes das tecnologias. (DOMINGUES, 1997)
Quer dizer, numa época em que as relações entre homem e máquina se tornam hipercotidianas e (re)configuram diversas atuações técnicas no mundo, não há como descolar a idéia de que em algum ponto dos conhecimentos técnicos acerca da tecnologia existe um elemento comum: a grande maioria das pessoas hoje é, numa certa medida, especialista e técnico em alguma tecnologia. Seja no fazer ou utilizar computador, games ou sites, seja em estudar e entender a tecnologia, ou na capacidade de usá-la como ferramenta para construir prédios, criar obras de arte ou salvar uma vida.
Eu, por exemplo, não sou nem de longe um técnico de computador, minha especificidade técnica está em criar obras artísticas a partir de determinada tecnologia e então refletir sobre os aspectos da arte e da sociedade na cultura digital.
Obviamente, isso não me configura como técnico em informática, como muitos dos meus parentes e amigos pensam. Mas faz com que se torne infinita a confusão sobre as formas mais básicas de utilização do computador, já que ele é a aplicação mais cotidiana da tecnologia. Ou seja, ele é um dos pontos de convergência das relações humanas na cultura digital. Assim, com cada vez mais técnicos em alguma tecnologia e com ela estando cada vez mais presente na vida das pessoas, as confusões, no meu ponto de vista, não deixarão de acontecer. Pelo contrário…
Diego Mac
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Qual a diferença entre técnico e especialista em tecnologia??? http://ow.ly/2pfoG
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